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Diretor de ‘Tropa de Elite’ elogia criatividade de camelôs

Posted on: outubro 10, 2007

Numa palestra para alunos de marketing nesta terça-feira (9), no Centro do Rio, o diretor de “Tropa de Elite”, José Padilha, ouviu da platéia que a maioria comprou DVDs de camelôs. Diante do público, ele se rendeu e admitiu que também assistiu à versão pirata do filme.

“Mas foi para ajudar a polícia. Precisava saber que versão tinha vazado”, disse, tentando se justificar, enquanto os universitários desabavam em risos e aplausos.

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Na palestra ele chegou a sugerir que os estudantes da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), onde foi realizado o seminário “Crime e Terrorismo: caprichos da alma insensata do Alemão ao Afeganistão”, convidassem os ambulantes para uma “aula de marketing”.

“Eu ficaria na platéia para assistir. Eles são muito criativos. Quando começou a repressão policial, eles anunciavam a venda do filme da seguinte forma: ‘Comprem, antes que a polícia proíba’. Venderam tudo”, lembra.

Mas, durante a palestra, que contou também com a participação do antropólogo Luiz Eduardo Soares, o ex-capitão Rodrigo Pimentel e o major da Polícia Militar André Batista, autores do livro “Elite da Tropa”, que deu origem ao filme, Padilha fez questão de mostrar sua posição contrária à pirataria.

“Isso envolve sonegação fiscal”, disse, mostrando-se preocupado com as pessoas que defendem a prática ilegal com o discurso de difusão do conteúdo cultural.
Até a estudante Luciane Ribeiro, de 25 anos, que usava uma boina e roupa preta semelhante à dos integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), admitiu ter assistido ao filme pirata. “A gente tem que ver também as outras versões, né?”, disse, apesar da camiseta com a inscrição “Tropa de Elite. Eu vou ver no cinema”.

Rodrigo Pimentel acrescentou que “uma das causas nefastas da pirataria” é o fato de muitas crianças terem tido acesso ao filme e agora estarem adotando comportamento parecido com o do capitão Nascimento (personagem de Wagner Moura) em casa ou nos colégios. “Tenho um filho de sete anos e graças a Deus, não assistiu”. A classificação do filme é para 16 anos.

Major defende ação violenta de policiais nas favelas.
Diante de um público de universitários de classe média, distante da realidade das favelas, o debate esquentou com as perguntas sobre o cotidiano dos moradores de comunidades pobres, os bastidores do tráfico e as ações policiais.

O major PM André Batista, que é lotado no Bope, ao ser questionado sobre o excesso de violência dos policiais nas favelas, desafiou a platéia de estudantes a encontrar uma solução não-violenta diante da necessidade de resgatar inocentes em poder de traficantes armados de fuzis. “Se souberem outra forma, dou a mão à palmatória”.

Em resposta à mesma pergunta, Luiz Eduardo Soares falou sobre a corrupção na polícia e afirmou que as críticas às ações violentas dos policiais do Bope devem ser dirigidas às “instituições que os formaram”.

“As coisas hoje pioraram muito. Em 1997, ano em que o filme é ambientado, os policiais dessa tropa eram acusados de excesso de violência, mas eram incorruptíveis. Chegavam a castigar os neófitos que fugissem ao lema da corporação. Hoje, a polícia é violenta e corrupta”, resumiu.

Em tom de ressalva, Luiz Eduardo afirmou que “a polícia tem o direito de matar, não de torturar e cometer arbitrariedades”.

André Batista comparou a estrutura das polícias Civil e Militar com a Polícia Federal, que consegue fazer operações sem dar um tiro. “Eles (a PF) possuem equipamentos e inteligência. Enquanto a gente não tiver isso, vamos continuar reproduzindo a guerra, descer o morro com corpos e matando inocentes nas trocas de tiros com traficantes”.

José Padilha contou que uma das dificuldades que encontrou para filmar foi conseguir o “nada a opor” da Polícia Militar. “Eles exigiram o roteiro, já que tinham lido o livro ‘Elite da Tropa’ e não gostaram nem um pouco. Argumentamos que não concordaríamos com isso, pois não estávamos numa ditadura. E, finalmente, encontramos pessoas de bom senso lá dentro que acabaram liberando a permissão”.

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